Boletim Eletrônico
Edição de 20-08-2008

Novela global reproduz imagem distorcida e preconceituosa do agente prisional

A rede Globo de televisão vem retratando nos capítulos da novela “A Favorita” cenas em que pretende mostrar a realidade dentro de um presídio brasileiro. Porém, o que traz aos seus telespectadores todas as noites é uma imagem distorcida, feita sob medida para influenciar a opinião pública contra a categoria dos agentes prisionais, profissionais que são mostrados como verdadeiros bandidos dentro do enredo do folhetim.

A condenação de uma das personagens principais ao cumprimento de pena em regime fechado serviu como desculpa para o autor reproduzir uma imagem preconceituosa e distorcida dessa importante categoria profissional. De acordo com o enredo de “A Favorita”, as agentes prisionais são tão somente profissionais corruptas e violentas. Não se viu ainda, em nenhum capítulo da obra, a personagem de uma agente prisional que se contraponha a essa imagem que, em nenhum momento, reflete a realidade.

E a realidade é uma só: existem sim, entre a categoria dos agentes prisionais (assim como em absolutamente todas as outras) profissionais despreparados e corruptos, que desmerecem o trabalho do conjunto. Porém eles formam uma minoria, largamente suplantada pelo empenho e profissionalismo de homens e mulheres que cumprem diariamente uma árdua rotina de trabalho, com uma missão das mais importantes: lidar com aqueles que foram excluídos do convívio em sociedade por terem sido considerados incapazes desta convivência, participando inclusive do processo de ressocialização para tornarem-se cidadãos no verdadeiro sentido da palavra.

Dentro do universo fictício criado pelo autor de “A Favorita” os agentes prisionais parecem os únicos culpados por todas as mazelas que atingem o sistema penitenciário nacional. Ele simplesmente ignora, de forma intencional, os verdadeiros problemas que vitimam as unidades do sistema prisional: superlotação e falta de investimentos públicos. Deixa assim de apontar quem é o real “vilão” nessa história: o poder público, que não investe na infra-estrutura das unidades, não valoriza e não qualifica seus profissionais e, vem, desde a década de 90, apostando no desmonte e privatização dos serviços públicos brasileiros.

O SINTESPE, na qualidade de legítimo representante dos servidores públicos estaduais de SC (entre eles cerca de 1,2 mil agentes prisionais) lamenta a reprodução dessa visão preconceituosa em relação a esse profissionais que travam há anos, junto com o Sindicato, uma luta em busca de valorização e respeito por parte do governo. Mas o Sindicato não estranha tal atitude, já que ela segue de acordo com a linha editorial de toda a grande mídia nacional, que não se cansa de levantar a bandeira da entrega dos serviços públicos à iniciativa privada, através do sucateamento do patrimônio público.

jornalista responsável: Gisele Dias (SC 571 JP)

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