Boletim Eletrônico
Edição de 06-11-2009

NOTA PÚBLICA

Imagens mostram parte do caos no Sistema Prisional em Santa Catarina

O SINTESPE – Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Estadual de Santa Catarina, representando a categoria de Agentes Prisionais, Monitores e o pessoal do Administrativo da SSP, vem a público se posicionar diante das imagens de violência contra os apenados, veiculado na mídia, ocorridos na Penitenciaria Estadual de São Pedro de Alcântara e Presídio de Tijucas em 2008.


O Sindicato é contrário a qualquer tipo de abuso de poder, tortura, agressões, assédios, ou práticas para ofender, humilhar ou denegrir a imagem da pessoa humana, em qualquer espaço do setor público e da sociedade. Em havendo denúncias ou conhecimento de qualquer irregularidade sempre prezamos pela apuração dos fatos e que os denunciados respondam pelas acusações e, se provado o ato faltoso, que se utilizem os meios legais, administrativos ou judiciais, por parte de quem têm competência para aplicar as penalidades cabíveis aos responsáveis, em qualquer esfera: Penal ou Civil.

 

O Sistema Prisional, uma área sensível do setor público, não pode estar refém dos objetivos politiqueiros, com a nomeação para cargos comissionados, muitas vezes, de pessoas alheias às atividades desenvolvidas nas unidades prisionais. E, por isso, não vamos aceitar sermos usados como trampolim de oportunistas que querem se apossar de cargos de direção, administração, comissão - destinados à categoria de Agentes Prisionais. Não vamos permitir que seja utilizado um expediente tão desprezível como a divulgação dos vídeos na imprensa, para denegrir a imagem da categoria dos Agentes e Monitores. A categoria não concorda com o que esta atitude desumana.


O vídeo exibido pela imprensa que as ações foram feitas em conjunto com a Polícia Militar, além de envolver pessoas que não aparecem nas imagens, mas que podem ser identificadas pela voz, e que buscam através do vídeo expor apenas os Agentes Prisionais, esquecendo-se de cobrar as responsabilidades de todos que participaram destas ações, inclusive os cargos do grupo que comandou as incursões e as operações.


As operações rotineiras de trabalho dentro das unidades prisionais têm como procedimentos: as revistas diárias, as ações gerais com a participação de Agentes, PM´s e Policiais Civis, quando necessários; a averiguação das estruturas, a vigília e conferência do pessoal do sistema. Nas ações práticas e nas atitudes dos Agentes, no intuito de impedir tentativas de fugas e rebeliões, muitas vezes, faz-se necessário o empreendimento da força para conter a agressividade dos presos, e nessas ações sempre vai haver resistência por parte dos apenados. As ações sempre visam manter a ordem e a disciplina, o que faz parte das atribuições dos Agentes, previstas em Regimento Interno (Decreto 4600/94), sempre com a cautela de não se cometer qualquer tipo de excesso, tanto pelos Agentes Prisionais e Monitores, bem como por parte daqueles que coordenam as ações.

 

Para solução dos graves problemas existentes no Sistema Prisional e no Sistema de Atendimento aos Adolescentes em conflito com a Lei, faz-se necessário muito mais investimento do que já se fez até agora, na melhoria das estruturas físicas, na compra de equipamentos, na contratação por Concurso Público de mais Agentes Prisionais, Monitores e pessoal Técnico Administrativo, impedir a terceirização, além de promover ações de recursos humanos que visam aprimorar a capacitação dos profissionais e, principalmente, resolver os graves problemas de desequilíbrio salarial entre os setores que trabalham na segurança pública, afastando-se as medidas que privilegiam alguns segmentos e discriminam outros. Para tanto reivindicamos investimentos na preparação profissional, proposta já elaborada em dossiê pelo SINTESPE, e entregue em audiência pública na ALESC em 2007.

 

O Governo recebe recursos de várias origens para aplicação na Segurança Pública, só que a aplicação da verba deve levar em conta o aumento da demanda e a necessidade de melhorar o atendimento à população, incluindo os apenados e suas famílias, além da promoção de políticas públicas que visam à promoção social dos cidadãos, como medida preventiva contra o aumento da criminalidade.

 

Não pode ser descartada a possibilidade de afastamento dos cargos, não só dos servidores efetivos, mas também daqueles que planejaram, coordenaram ou simplesmente participaram ou foram coniventes com tais ações, inclusive os cargos comissionados, sejam eles, gerentes, diretores ou até secretários. Qual será a providência a ser tomada pelo Governo diante da notícia de que os membros da Secretária Executiva presenciaram os fatos. “O diretor do Departamento de Administração Prisional de Santa Catarina (DEAP), Hudson Queiroz, disse que participou da operação e não presenciou nenhum dos atos de tortura” (Fonte Globo/Fantástico em 01/11/2009). De acordo com o regulamento é proibido à entrada de qualquer tipo de equipamento de comunicação e captação de imagens nas unidades, sem autorização. Em nosso entendimento, pela leitura do cenário, a utilização destas imagens neste momento serviu para atacar a categoria tentando manipular a opinião pública diante das mobilizações que tem ocorrido nos últimos dias, em especial, pela eminência da deflagração de greve, que é um direito elementar, constitucional e legítimo da categoria, que luta para que seus direitos sejam respeitados.


Mario Antonio da Silva
Presidente - SINTESPE
mario@sintespe.org.br

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