Boletim Eletrônico
Edição de 18-08-2008

Agentes sofrem violência
Funcionárias de penitenciárias de SP são vítimas de agressões e torturas das presas durante motins

As agentes penitenciárias também são vítimas da fúria da população carcerária em dias de levante.

Foi o que aconteceu com a agente Luíza Mara Lopes, 40 anos, e outras sete colegas de trabalho. Todas elas foram mantidas reféns e espancadas por detentas em uma rebelião no dia 20 de fevereiro de 2006 na Penitenciária Feminina de SantAna, no Carandiru, zona norte de São Paulo.

Luíza chegou ao local de serviço às 6h. Três horas depois, as presas se rebelaram. Luíza foi amarrada a um botijão de gás. Sob constantes ameaças de morte, foi obrigada a vestir o uniforme de uma das presidiárias. Ela foi espancada com cabo de enxada. Também teve uma faca e um caco de vidro encostados no pescoço. Luíza não superou o trauma: precisou de acompanhamento psiquiátrico.

A colega e amiga Graziela também foi espancada, além de torturada com cigarros acesos. As marcas da violência levaram dias para desaparecer, e as cenas de terror não foram esquecidas. Outra colega foi mantida refém durante oito horas. Teve sede. Pediu água e as detentas lhe deram solvente.

Tentativa de fazer refém Suzane von Richthofen

No dia da rebelião, detentos do regime semi-aberto trabalhavam na Penitenciária Feminina de SantAna. Segundo funcionários, os presos ajudaram as rebeladas e ameaçaram violentar sexualmente as agentes.

Terror semelhante foi verificado em 24 de agosto de 2004 na vizinha Penitenciária Feminina da Capital, também no Carandiru. As presas se rebelaram após a transferência de uma detenta que estava jurada de morte. Como não conseguiram executá-la, iniciaram o levante. As amotinadas tentaram fazer refém a presidiária Suzane von Richthofen, condenada pelo assassinato do pai e da mãe, ocorrido em outubro de 2002.

As rebeladas só não fizeram Suzane refém por causa da intervenção rápida de uma agente penitenciária. A funcionária retirou Suzane às pressas do pavilhão e a levou para uma cela da inclusão, no setor da administração. Mas a funcionária não foi poupada. Foi espancada.

Fone: Folha de São Paulo

jornalista responsável: Gisele Dias (SC 571 JP)

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