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PLP 092 representa mais um ataque à organização do servidor e aos serviços públicos

 
Ministério do Planejamento encaminha Projeto de Lei que cria Fundações Estatais de Direito Privado em várias áreas do Serviço Público.

 No dia 11 de julho de 2007 o Ministério do Planejamento encaminhou ao Congresso Nacional, um Projeto de Lei que prevê o gerenciamento de vários setores do serviço público através de fundações privadas, qualificado-as de “Fundações Estatais”.     
    
A proposta prevê a privatização de setores importantes do Serviço Público, como: saúde,  educação, assistência social, ciência e tecnologia, meio ambiente, cultura, desporto, turismo, comunicação e previdência complementar do servidor público.

Esta medida faz parte de um projeto privatista em curso, a exemplo, do que já vem acontecendo com as parcerias público-privadas. A justificativa encontrada é sempre a mesma, ou seja: agilidade e flexibilidade, enfim, ter como parâmetro de ação a lógica de mercado.        

A entrega da gestão desses setores à iniciativa privada trará graves prejuízos ao funcionalismo público e aos serviços públicos, como também a toda a sociedade brasileira. O primeiro prejuízo será a precarização das relações de trabalho e o fim da estabilidade no emprego. O segundo é relativo ao acesso da população a esses serviços, que não serão mais gratuitos.

Por outro lado, o projeto propõe que cada Fundação estabeleça seu contrato de gestão com o Estado, isto é, com um quadro funcional e plano de cargos e salários específicos. O que, na prática, fere o princípio constitucional de isonomia e fragmenta ainda mais a categoria de servidor público.

Além desses prejuízos impostos à categoria, o atendimento à população também será prejudicado, pois não contará com nenhum tipo de controle social, facilitando, assim, a prática de corrupção nos órgãos públicos. E, como se não bastasse, essas Fundações também poderão usufruir imunidade tributária. 

O SINTESPE entende que para ocorrer eficiência e eficácia no SERVIÇO PUBLICO há necessidade de investimento público e valorização do servidor público. Nesse sentido, reitera a importância do controle social e da negociação como mecanismos importantes no aprimoramento do processo democrático e, por conseguinte, a construção de uma sociedade mais justa e solidária. Portanto, manifesta-se contrário a este projeto privatista e pela retirada imediata deste projeto da pauta do Congresso. Mesmo sem poder comparecer pessoalmente à manifestação organizada pela CUT para acontecer nesse dia 15 de maio em Brasília, você pode manifestar seu repúdio encaminhando e-mail para o Deputado Federal de sua região, conforme os endereços eletrônicos que seguem:


 

DEPUTADO(A)
E-MAIL
ANGELA AMIN
CARLITO MERSS
CELSO MALDANER
DÉCIO LIMA
DJALMA BERGER
EDINHO BEZ
FERNANDO CORUJA
GERVÁSIO SILVA
JOÃO MATOS
JOÃO PIZZOLATTI
JOSÉ CARLOS VIEIRA
NELSON GOETTEN
PAULO BORNHAUSEN
VALDIR COLATTO
VIGNATTI
ZONTA
Leia mais sobre o PLP 01/2007
 

Fundações Estatais não fortalecem serviço público gratuito e de qualidade*

 

O discurso vigente é que o serviço público é precário, lento (falta agilidade na prestação de serviços), burocrático e carece de autonomia administrativa, financeira etc. Isso tudo porque não há mecanismos administrativos para a instituição pública manejar certas verbas, como por exemplo, as que chegam através de convênios privados. Mas o fato de se valer das propostas de fundações, organizações sociais, sob a justificativa da tão sonhada autonomia, não  justifica a ausência de controle social sobre o gerenciamento das instituições financiadas com dinheiro público.

Agora, o projeto de lei complementar (092/2007), que pretende abranger nove áreas do serviço público, surge sob o argumento da melhoria do serviço público. É preciso manter a vigilância, pois fundações representam sim, um caminho para a privatização de tudo o que público.

É importante salientar que as fundações, privadas ou estatais, ambas fazem parte da proposta de esvaziamento da Administração Pública Direta, reabilitada pela Constituição de 1988. O Serviço Público é um dever do Estado e por ele deve ser gerido. Entregá-lo à iniciativa privada é um crime de lesa-pátria.

Por isso, o SINTESPE posiciona-se pela garantia da universalidade das políticas públicas, onde todos os cidadãos tenham acesso aos serviços públicos gratuitos e de qualidade.

(*) Com informações do artigo “Fundação Estatal não fortalece o SUS”, de autoria de Francisco Batista Júnior, publicado no jornal Folha de São Paulo de 27 de agosto de 2007.


Ministros do STF concedem liminar restabelecendo Regime Jurídico Único (RJU) da União para admissão de servidores na administração pública direta, autárquica e fundacional
 
A decisão, tomada no dia 2 de agosto, contraria intenção do governo federal de adotar novo modelo de gestão para administração pública, contratando servidores pela CLT e acabando com a estabilidade
Com informações do Jornal Correio Braziliense
 

Uma decisão tomada no dia 02 de agosto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ameaça os planos do governo de acabar com a estabilidade do servidor público em algumas áreas e proíbe, pelo menos por enquanto, a contratação de funcionários pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Por maioria, os ministros concederam liminar que restabelece o Regime Jurídico Único (RJU) na administração pública direta, autarquias e fundações.

No julgamento, os ministros do STF analisaram a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) proposta, em 2000, por PT, PDT, PCdoB e PSB. À época, esses partidos — que eram de oposição — questionaram parte da reforma administrativa implantada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso em seu principal ponto: a Emenda Constitucional 19/1998. “Caiu o pilar daquela proposta”, resumiu Roberto Caldas, advogado com atuação no STF e presidente da Comissão Nacional de Direitos Sociais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

O advogado-geral da União, ministro José Antonio Dias Toffoli, disse que o governo fará um estudo detalhado para avaliar o reflexo da decisão no projeto de lei complementar enviado ao Congresso Nacional propondo a criação das fundações estatais. “Vamos estudar o caso para avaliar o impacto que a decisão causará”, ressaltou.

Os sindicatos comemoraram bastante a decisão. “Se o julgamento de mérito confirmar, será fundamental para o servidor. Acredito que o governo terá de retirar o projeto do Congresso. Isso prova que as coisas tinham de ser melhor discutidas com as categorias”, afirmou Josemilton Costa, secretário-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Serviço Público Federal (Condsef).
Para o ex-ministro do STF, Sepúlveda Pertence, se confirmada a decisão, o governo vai precisar negociar com os parlamentares a edição de uma nova emenda à Constituição. “A decisão do plenário se fundamentou no fato da EC 19/98 ter sido aprovada sem a votação dos 3/5 exigidos pela Constituição”, avaliou.

 
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